Mostrando entradas con la etiqueta Nº1. Mostrar todas las entradas
Mostrando entradas con la etiqueta Nº1. Mostrar todas las entradas

lunes, 16 de junio de 2014

SATISFAÇÃO E FIDELIZAÇÃO EM GINÁSIOS E HEALTH CLUBS: ESTUDO DAS EXPETATIVAS, DAS EMOÇÕES E DA QUALIDADE

A indústria do fitness é um mercado fortemente enraizado nos países europeus, atraindo milhões de consumidores. O mercado europeu gera atualmente aproximadamente 25 € bilhões de receitas para 48.000 clubes com quase 44 milhões sócios-membros. 


A equação financeira de equilíbrio do fitness continua a ser, teoricamente, de fácil compreensão, mas, na prática de difícil execução. A atração de clientes, a qualidade dos serviços prestados e a satisfação dos sócios-membros não são por si só suficientes para garantir aos gestores a fidelização dos mesmos. Por exemplo, as medidas de austeridade influenciam o poder de compra dos consumidores influenciando as estratégias de preço (medida de curto prazo) pelos ginásios / health clubs, oferecendo os mesmos serviços a preço mais baixo. Uma estratégia de preço baixo tem um impacto na qualidade dos serviços que por sua vez influenciam a satisfação dos sócios-membros. Ginásios / health clubs com dificuldades em oferecer serviços com elevada qualidade comprometem os elevados níveis de satisfação dos sócios-membros e a continuação destes no ginásio / health club, (des)fidelizando-os. 

A criação de valor para com o sócio-membro é um processo trabalhoso e criativo, em mercados fortemente saturados, que o gestor tem de desenvolver para permitir que a equação financeira do fitness se mantenha em equilíbrio. 

Neste sentido, a inovação do estudo de doutoramento, dentro da área específica do fitness, introduz a importância da gestão das expetativas e das emoções experienciadas durante a prática da atividade física pelos sócios-membros, para além da interligação com a preocupação fundamental dos gestores: qualidade do serviço oferecido, procurando satisfazer as necessidades dos sócios-membros, fidelizando-os. 

A amostra foi composta por 980 sócios de ginásios / health clubs privados da área metropolitana de Lisboa. Esta investigação foi realizada através de um procedimento de três etapas. Primeiramente, uma listagem de pensamento-livre foi utilizada para a obtenção das emoções experienciadas durante a prática de atividade física. Segundo, foi utilizado um pré-teste usando uma análise fatorial exploratória para identificar categorias emocionais e a sua fiabilidade. E finalmente, na terceira etapa, foi aplicado o questionário final para testar o modelo de hipóteses. No tratamento dos dados utilizámos a análise fatorial confirmatória e o modelo de equações estruturais.

Os resultados do estudo permitem-nos concluir, por um lado, que a qualidade do ambiente, das infraestruturas e da segurança têm um efeito positivo na satisfação global. A qualidade dos tempos de espera para os equipamentos, para as aulas de grupo e na receção têm um efeito negativo na satisfação global. As emoções negativas experienciadas de culpado, trémulo e amedrontado têm um efeito negativo na satisfação global e, inversamente, as emoções positivas experienciadas de encantado, excitado e entusiasmado têm um efeito positivo na satisfação global. As expetativas dos sócios-membros têm um efeito positivo na satisfação global. 

Por outro lado, os resultados do estudo permitem-nos concluir, que a satisfação global tem um efeito positivo nos comportamentos e atitudes futuras dos sócios-membro (fidelização): a satisfação global tem um efeito positivo na frequência ao ginásio / health club; a satisfação global tem um efeito positivo na intenção de voltar a inscrever-se; a satisfação global tem um efeito positivo na intenção de recomendar o ginásio / health club a familiares e amigos. A satisfação global é considerada uma variável mediadora entre antecedentes da satisfação global (qualidade, emoções e expetativas) e consequências da satisfação global (frequência, recompra e recomendação). 

Com base nos resultados do estudo permite-nos sugerir aos gestores as seguintes linhas orientadoras. Na análise da qualidade, para além da importância da qualidade do ambiente, infraestruturas e segurança é igualmente importante que o gestor diminua os tempos de espera para os equipamentos, aulas de grupo e na receção. A qualidade dos tempos de espera está relacionada com as burocracias inerentes à área invisível ao sócio-membro. A área invisível tem um impacto forte na prestação do serviço e a otimização da parte invisível tem impacto na qualidade do serviço e satisfação do sócio-membro. Os gestores devem procurar otimizar processos para agilizar a capacidade de resposta entre o que o sócio-membro pretende, ou que está disponível para aceitar, e o que o ginásio/ health club lhe consegue oferecer.

Sugere-se igualmente como fundamental a introdução das emoções nos atuais modelos de gestão do fitness. As identificadas no estudo sugerem que os sócios-membros sentem emoções positivas e negativas durante a prática de atividade física. As emoções negativas, tais como culpado, trémulo e amedrontado, devem ser diminuídas pelos prestadores de serviços através das suas ações diárias, por exemplo, os gestores devem apostar na formação contínua dos instrutores no sentido de melhorarem as suas competências comunicacionais. A não compreensão pelos gestores das causas desencadeadoras de emoções negativas, procurando atenuá-las, tenderá a ter influência na satisfação do sócio-membro afetando indiretamente a fidelização do mesmo. Por sua vez,  as emoções positivas, tais como encantado, excitado e entusiasmado, devem ser incentivadas pelos prestadores de serviços podendo estar relacionadas com o ambiente em geral percecionado pela experiência do sócio-membro, como a música, a temperatura, o conforto e a limpeza das instalações e o conhecimento e a disponibilidade dos instrutores. Neste sentido, os gestores devem oferecer atividades e serviços que, conjuntamente com as ações da equipa, permitam desencadear emoções positivas que indiretamente influenciam a fidelização do sócio-membro. 

A gestão das expetativas também passa a ser sugerida como inclusão fundamental nos atuais modelos de gestão do fitness. Os gestores devem considerar que as expetativas dos sócios-membros são influenciadas pela experiência passada, necessidades pessoais, passa-palavra, comunicações de mercado, preço e imagem. Um potencial cliente ou um atual sócio-membro convive constantemente num confronto de expetativas que são influenciadas por todo o tipo de canais de informação passíveis de alterar as suas crenças futuras na escolha de um ginásio / health club ou de anulação do seu estatuto de sócio-membro. As expetativas em confronto com a perceção do serviço irão permitir aferir se o sócio-membro está satisfeito ou insatisfeito. Por exemplo, quanto maiores forem as expetativas que um cliente tem em relação ao serviço oferecido pelo ginásio / health club maiores são as exigências de serviço que próprio ginásio / health club tem de oferecer. Os gestores têm obrigatoriamente de aprender a gerir as expetativas, ou seja, perante um mercado cada vez exigente com um cliente igualmente exigente a influência correta dos canais que influenciam as expetativas passa a ser primordial. Os gestores têm, para além de ir ao encontro das expetativas, o desafio de as superar no sentido de obterem sócios-membros altamente satisfeitos, porque só assim conseguem influenciar a sua fidelização. Sócios-membros apenas satisfeitos trocam rapidamente de ginásio / health club devido a uma simples política de preço mais baixo pelo ginásio / health club concorrente.

Em suma, o presente estudo confirma e sugere a inclusão, nos atuais modelos de gestão do fitness, para além da qualidade dos serviços, da satisfação dos sócios-membros e da fidelização dos mesmos, das expetativas e das emoções. Estas considerações devem ser levadas em linha de conta pelos gestores durante a implementação das suas estratégias de forma a reforçar a atual ligação com os sócios-membros. De igual modo, os resultados sugerem a continuação da investigação sobre o tema.

Autor: Vera Pedragosa.




HIIT. CONSIDERAÇÕES SOBRE A PREVENÇÃO DO RISCO CARDIOMETABÓLICO


O treino intervalado de alta intensidade é um sistema bastante antigo, contudo, só mais recentemente começou a incorporar mais ativamente os conceitos de fitness, atividade física e saúde. Muitos são os treinadores que recorrem a este tipo de metodologias de trabalho para melhorar a condição física dos seus cliente;, no entanto são igualmente muitos os que, porventura, não têm a informação mínima necessária para poder aplicar este tipo de treino com segurança.


Antes de mais, deve-se ter em conta que os treinos de alta intensidade têm grandes benefícios; contudo, também podem ser prejudiciais, especialmente em pessoas já com algum tipo de patologia diagnosticada, logo recomenda-se um período de atividade física de intensidade mais baixa numa fase inicial, bem como a realização de um check-up médico. Além disso, geralmente este tipo de treino pode causar no cliente uma desmotivação, levando a uma fraca adesão ao plano de treino definido. Como tal, o trinador tem que encontrar outras alternativas, outros métodos, e estudar muito bem com que clientes pode ou não seguir esses métodos.

No presente artigo, vamos analisar a recente publicação intitulada: “The Potential for High-Intensity Interval Training to Reduce Cardiometabolic Disease Risk”. Trata-se de um artigo publicado por Kessler et al (2012) na revista Sports Medicine. Neste estudo, os autores analisaram 24 trabalhos em revistas cientificas que aprofundaram a temática do treino HIIT, concentrando-se sobretudo nos efeitos deste sistema de treino sobre a síndrome metabólica (circunferência de cintura, nível de triglicéridos no sangue, glicemia, pressão arterial e níveis de colesterol) e VO2máx.

Tipos de treino HIIT

Kessler et al (2012) no seu trabalho de revisão, classificou os treinos HIIT por grupos, por um lado os “Aerobic Interval Training” (AIT), que consistiam em 4-6 intervalos de 4 minutos em alta intensidade (80-95% VO2máx) seguidos de 3-4 minutos de recuperação, por outro lado, os “Sprint Interval Training” (SIT) que consistiam em 4-6 esforços máximos de 30” com recuperações de 3-4 minutos entre os mesmos. Contudo, foram igualmente revistos estudos nos quais foram aplicados métodos de intensidade moderada e constante (CME) (50-75%VO2máx). Todos os protocolos revistos eram do tipo cardiovascular, tendo sido realizados os exercícios em passadeiras ou bicicletas ergométricas.

VO2máx

O VO2máx é considerado atualmente um importante preditor da mortalidade, e, com o treino HIIT, conseguem-se grandes efeitos sobre o mesmo, sendo estes semelhantes aos conseguidos com o uso de exercícios a uma intensidade constante só que com muito menos tempo de treino.

Nos estudos em que utilizaram os protocolos AIT e SIT, produziu-se um incremento maior de VO2máx do que nos estudos em que foram utilizados protocolos CME. Na verdade, estes incrementos produziram-se num menor número de sessões e com um volume de treino menor que no CME. Estes benefícios no VO2máx foram testados e avaliados em diferentes tipos de população como adolescentes, jovens, pessoas de meia idade, idosos e inclusivamente pessoas com doença coronária.


METABOLISMO DA GLICOSE
Os estudos revistos por Kessler et al (2012) demonstram que tanto o AIT como o SIT parecem gerar importantes adaptações no metabolismo da glicose, visto que foram observados aumentos na sensibilidade à insulina em diferentes grupos da população. Estes efeitos são semelhantes ou ligeiramente superiores (dependendo do estudo) ao obtidos através de sistemas de treino CME, ainda que com o treino intervalado seja necessário menos tempo de exercício para conseguir os mesmos efeitos.
LÍPIDOS NO SANGUE
Nos estudos revistos por Kessler et al (2012) não se observam melhorias nos níveis de triglicéridos , LDL-C (“mau colesterol”) e colesterol total no sangue com nenhum dos sistemas de treino. Somente com o treino AIT em 3 dos 10 estudos revistos, se observou um aumento de HDL-C (“colesterol bom”), sendo um estudo nos quais foram aplicados protocolos com mais de 8 semanas de intervenção. Com estes dados, poderíamos afirmar que existe alguma controvérsia sobre a utilidade do HIIT para melhorar os níveis de lípidos no sangue, pelo que se devem realizar mais estudos sobre a temática.
PRESSÃO ARTERIAL
Nos estudos revistos por Kessler et al (2012) observou-se que o treino AIT produziu efeitos benéficos sobre os níveis de pressão arterial em protocolos com uma duração superior a 12 semanas, e somente em pessoas que não tomam medicamentos hipotensivos.
COMPOSIÇÃO CORPORAL
Nos estudos revistos, observou-se uma considerável diminuição do índice de massa corporal e de percentagem de gordura em sujeitos com excesso de peso e obesidade que realizaram protocolos de treino AIT com mais de 12 semanas de duração. Estes benefícios foram semelhantes aos observados nos estudos com treino CME.
CONCLUSÕES
Depois de analisar estes e outros estudos relacionados com o treino HIIT, parece evidente que o treino de alta intensidade oferece importantes benefícios para a saúde dos praticantes. Os protocolos HIIT de carácter cardiovascular parecem ser muito eficientes para atingir aumentos do VO2máx, a sensibilidade à insulina, reduz a percentagem de gordura e o índice de massa corporal. Nestes aspetos, o HIIT é muito eficiente, mais ainda que o treino de intensidade moderada-constante.

Os efeitos do treino HIIT sobre a tensão arterial e os lípidos no sangue devem continuar a ser investigados para podermos obter resultados mais claros com diferentes grupos de população e em protocolos de maior duração.


Apesar dos benefícios do HIIT parecerem evidentes, o personal trainer deverá ser capaz de adaptar as sessões de treino de maneira individualizada, intercalando sessões convencionais de treino cardiovascular, força, flexibilidade e elasticidade. A programação individualizada do treino é fundamental no uso do HIIT, visto favorecer o desenvolvimento integral de todas as qualidades físicas, fomentar o cumprimento do plano de treino e evitar o síndrome do excesso de treino.

Autor:  Carlos Barbado Villalba e David Barranco.


AS REDES SOCIAIS COMO FERRAMENTA DE APOIO ÀS VENDAS

Nos últimos anos temos vindo a acompanhar um crescimento exponencial das redes socias. São milhões de pessoas que acedem diariamente às diferentes redes sociais existentes. O Facebook e o Twitter lideram o movimento ‘Social Media’ e são sem dúvida os mais utilizados, contudo, outras redes como a Tuenti, mais orientada para um público adolescente, o Linkedin, para profissionais e empresas, entre outras, como o Foursquare, Flickr, Pinterest, Google+ e Instagram, tentam singrar neste setor competitivo.


Graças às estatísticas fornecidas pela empresa SocialBakers, podemos constatar o crescimento incrível que vivem as principais redes socias em todo o mundo. Podem-se analisar dados muito interessantes como é o caso de uma marca desportiva, a Decathlon, que tem em Espanha 1.700.000 seguidores no Facebook. Na verdade, tendo em vista as constantes inovações tecnológicas em dispositivos móveis e na web, é provável que as redes sociais se introduzam ainda mais no quotidiano dos usuários.

Estas redes socias podem trazer mais-valias para as empresas que as utilizam com regularidade, tais como:
  • Notoriedade da marca
  • Possibilidade de desenvolvimento de campanhas de marketing virais
  • Reforço do posicionamento da marca na web
  • Fortalecer os laços com os clientes, desenvolvendo um espírito de “tribo”
  • Facilitar a colaboração entre marcas e empresas
  • Contar com um canal de comunicação direto, que pode ser personalizado, entre seguidores e a marca.

Portanto, o potencial no que respeita às vantagens a obter para a marca são elevadíssimos, apesar de, no que respeita à gestão dos conteúdos das redes socias, ainda termos que apontar algumas questões. Contudo, irei limitar-me a considerar apenas alguns tópicos que podem originar resultados interessantes para o alavancar das inscrições num ginásio.

Os processos de venda podem ser mais ou menos completos, tendo sempre um conjunto de passos importantes a seguir. No entanto, todo o processo comercial funciona como um funil, isto é, a partir dos contactos iniciais, vão surgindo sucessivos desafios e obstáculos até se alcançar uma percentagem final de vendas concretizadas. A parte mais estreita do funil diz precisamente respeito à captação de contactos. Quanto mais limitada for a rede de captação de novos contactos, mais complicada se torna a missão de alcançar resultados positivos nas vendas, ao passo que com uma rede de captação alargada, em que as fontes de prospeção são vastas, torna-se mais fácil de conseguir novos contactos e, por sua vez, mais vendas. E é exatamente neste ponto que as redes socias assumem uma importância fundamental, tanto no que refere ao volume de contactos, quer pela qualidade dos mesmos - isto se fizermos uma boa gestão do processo.

Obviamente, o primeiro passo deverá passar por fazer crescer a nossa rede social com um trabalho de marketing muito dinâmico entre os nossos clientes atuais, os clientes ‘inativos’ e os clientes potenciais, convidando-os de forma ativa a ‘gostar’ das nossas publicações.

Para avançar para o segundo passo, devemos previamente possuir desde logo um site que tenha um design atrativo, atualizado regularmente com notícias, novidades, promoções e, sobretudo, que tenha um banner dinâmico e apelativo, que convide a visitar as instalações através de um qualquer tipo de promoção, como uma aula grátis. A ideia será ir atualizando regularmente no perfil da nossa rede social links diretos para o nosso site com as referidas campanhas. Em suma, a nossa rede social haverá de servir para dinamizar o número de visitas ao nosso site. Se os links forem suficientemente atrativos, algo que pode ser dinamizado com publicações frequentes num blog ligado ao site, por exemplo, muitos dos nossos seguidores clicarão no link e nos brindarão com vantagens competitivas importantes:
  1. Cada clique no nosso site melhora o nosso posicionamento online no que se refere aos motores de busca. Este ponto é de extrema importância visto que hoje em dia, sempre que alguém decide inscrever-se num ginásio, a primeira coisa que faz é fazer uma pesquisa na internet: Ginásio X.. na cidade Y..
  2. Se o nosso banner for realmente atrativo, muitos não resistirão a clicar e a fornecer-nos os seus dados, passando automaticamente a fazer parte de uma base de dados de potenciais clientes.
O terceiro passo do processo caracteriza-se por uma ação comercial destinada a chamar os interessados para marcar uma visita ao clube. Se as instalações, os serviços e preços/ofertas forem atrativos e o comercial estiver focado na venda, esta será fechada de imediato sem grande dificuldade.

Em qualquer caso, a corrente é tão forte quanto seu elo mais frágil e, em resumo, é de notar que seria necessário o seguinte: ter um perfil adequado na rede social, atingir vários grupos e ir gerindo um crescimento constante dos mesmos, possuir um site atrativo e dinâmico, criar uma forte relação entre o site e a rede social e, finalmente, investir na gestão cuidada de todos os contactos recolhidos.

Autor: Sebastián Jiménez.




domingo, 15 de junio de 2014

EXERCÍCIO CLÍNICO. UMA NOVA ÁREA PROFISSIONAL


O exercício físico é já há alguns anos reconhecido como um dos meios mais eficazes na promoção da saúde e bem-estar das populações, especialmente nos países mais desenvolvidos onde as doenças não transmissíveis são a principal causa de morte. Todavia, para além do seu papel na prevenção, a actvidade física tem ainda um vasto campo de aplicação, seja como meio terapêutico seja como coadjuvante no tratamento de diferentes patologias.



Nesta última área existe bibliografia em número e robustez que demonstra claramente o efeito insubstituível do exercício na terapia conjunta em numerosas doenças. De resto, o American College of Sports Medicine criou inclusivamente uma área de intervenção – Exercise is Medicine - em que o exercício deve ser encarado pelos médicos como um fármaco e que, por isso deve estar presente em todos os actos clínicos e ser prescrito com o mesmo cuidado e rigor do que o aplicado a qualquer outra intervenção farmacológica.

Ou seja, o exercício passou uma entidade de inegáveis recursos na área da saúde mas, talvez, mais importante, na área da doença e daí a sua designação de EXERCÍCIO CLÍNICO.


O que é uma UNIDADE DE EXERCÍCIO CLÍNICO?

Não é nem uma clínica de fisioterapia, nem uma área de consulta de nutrição ou um ginásio. Esta Unidade pretende ser um local físico em que as diferentes especialidades médicas reencaminham os seus pacientes porque entendem que o exercício prescrito, avaliado, monitorizado e acompanhado pode ser um benefício claro para o paciente. Pretende-se, por isso, que o exercício não seja terapêutico mas sim clínico. Isto é, o exercício não pode ser um fim mas um meio para maximizar os outros tipos de intervenção. Por exemplo, não substitui a fisioterapia após uma ligamentoplastia do cruzado anterior mas intervém na sua fase pós clínica em que o reforço muscular e a funcionalidade específica passa a ser a prioridade. Não substitui o papel do plano alimentar, mas é um meio de diminuição da massa gorda e aumento da massa muscular que deverá acompanhar sempre qualquer plano de perda de peso de um paciente obeso. Não trabalhará na mobilidade do ombro após remoção linfática numa mamoplastia completa, mas actuará como meio de contrariar a fadiga associada ao cancro através do aumento da resistência aeróbia e do tecido muscular esquelético.


Ou seja, deverá ser uma Unidade de complementaridade a todas as outras áreas de intervenção médica.

Carácter INOVADOR E DIFERENCIADOR do modelo tradicional de fitness:
  1. O impacto do exercício na sociedade. Nunca como hoje se falou tanto do exercício como um meio fundamental na melhoria da saúde e da qualidade de vida (Exercise in Health & Wellness) das populações. Todavia continua a ser entendida como uma área menor em meio clínico e hospitalar. De resto, nos curricula da graduação em medicina continua a não existir qualquer disciplina que aborde de forma específica o exercício. Este projecto podia constituir-se como algo INOVADOR E DIFERENCIADOR.
  2. O papel do exercício como meio não farmacológico em diferentes situações clínicas. Na fadiga associada ao cancro, na gestão do peso (perda e aumento de peso), na perda da massa muscular por terapias agressivas (quimio, rádio, etc.), desnutrição ou stress cirúrgico, perda da massa óssea, etc. Ao implementar uma unidade de exercício clínico, seria uma forma de proporcionar aos doentes mais uma ajuda terapêutica importante e decisiva.


Situações clínicas em que o exercício pode ter uma forte componente como coadjuvante terapêutico.

Doença arterial periférica (Circulation, 113: 463-654, 2008)
Diabetes (Progress in Cardiovascular Diseases, 53: 412–418, 2011)
Hipertensão arterial (Progress in Cardiovascular Diseases, 53: 404–411, 2011)
Excesso de peso e obesidade (Amer J Med, 124: 747-755, 2011)
Osteoporose (PM R, 3:562-572, 2011)
Doença oncológica (The Oncologist,16: 112–120, 2011)
Lesões medulares (PM R, 3:S73-S77, 2011)
Insuficiência cardíaca (Eur J Heart Fai, 13: 347–357, 2011)
Ansiedade e depressão (Can Fam Physician , 57: 399-401, 2011)

Situações e populações especiais
Gravidez (J Sci Med Sport.,14(4): 299-305, 2011)
Envelhecimento (Amer J Med, 124: 194-198, 2011)

Autor: José Soares


viernes, 13 de junio de 2014

AS 3 MELHORES MÁQUINAS DE TREINO CARDIOVASCULAR

A indústria do Fitness continua a surpreender com o lançamento de novos produtos que excedem todas as expetativas e necessidades do mercado. Quais são as últimas tendências? E os últimos lançamentos? As empresas do nosso setor exibem as suas propostas. Apresentamos então as melhores propostas de máquinas para treino cardiovascular no início de 2014.


As empresas de material de Fitness que operam na Península Ibérica fizeram uma seleção entre todos os seus produtos das 3 melhores máquinas para o treino cardiovascular, não só no que respeita à inovação, como também à qualidade-preço.

O treino cardiovascular é um dos mais procurados, sendo fundamental para as empresas de venda de máquinas. Em alguns casos, a venda de elípticas supera a das bicicletas indoor convencionais e inclusivamente as passadeiras.

Estas são as empresas que nos enviaram as suas 3 melhores máquinas de treino cardiovascular: Johnson, Life Fitness, Precor, Star Trac,  Technogym, GH Fitness Co., Fit4life, Salter, Tecnosport, BH,  Bodytone, Coygarsport, F&H, Tunturi,  Rocfit,  Vermont, Aemedigym, Mygym e Panatta. 

Última hora! Congratulamo-nos ao ver que a tecnologia e o Fitness estão em perfeita sintonia, conseguindo mesmo ganhar o prémio ISPO como produto do ano 2014 no segmento de Performance. Referimo-nos à Technogym e à gigante Google, que entra no mercado do Fitness com os seus óculos interativos. Graças à tecnologia Unity, a nova consola Android da Technogym, as várias fases do treino cardiovascular são compatíveis e integram-se através de uma app ligada ao dispositivo externo.

A NOSSA ASSOCIAÇÃO

Fenómeno 3 Euros
A AGAP, Associação dos Ginásios de Portugal, está preocupada e denuncia a situação de instalações à margem da Lei que não cumprem a legislação em vigor e que aplicam, regra geral, a taxa de três euros por aula.


No FÓRUM AGAP, que reuniu a AGAP, associados, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), Instituto Português da Juventude e Desporto (IPDJ), a gestora de direitos musicais, Passmusica, a firma de advogados da associação e a consultora Deloitte na cidade do Porto, abordou-se a situação legal e fiscal do sector dos ginásios em Portugal.

Sem especificar o peso desta realidade, o “fenómeno três euros” abrange espaços privados e municipais que alugam salas a técnicos de fitness, habilitados ou não, que cobram três euros por aula, sem deterem as exigências legais e fiscais para a prática da modalidade. “A distorção da concorrência é cada vez maior e coloca em risco a sustentabilidade de muitas empresas”, disse o presidente da AGAP, José Júlio Vale Castro, que também questiona “porque não está a ser mais fiscalizada esta situação também junto de instalações recreativas públicas? Afinal, qualquer instalação desportiva tem, por imperativo legal, de possuir diretor técnico, seguro de acidentes pessoais, licenças musicais, manual de operações, entre tantas outras obrigações.”

Para a advogada Cláudia Moreira, por exemplo “muitos ginásios municipais não pagam IVA porque se dizem sem finalidade lucrativa, entrando no entanto em concorrência directa ao sector, o que afasta a isenção”, apontando ainda casos de professores de Zumba que dão aulas avulso a três euros, sem facturas e sem enquadramento legal.

Para a AGAP, a ASAE deverá ter acesso à base de dados do IPDJ para verificar se os técnicos de exercício físico estão habilitados para exercer a profissão.

A ex-representante da ASAE da região Norte, Rute Serra, referiu que “a sua missão pode ser melhor cumprida se mais informação chegar aquela entidade”, perante as críticas dos associados que denunciam situações ilegais que a ASAE ainda não investigou.

Além da limitação de pessoal para a região que dirigia, lembrou Rute Serra que a sua entidade investiga muitos mais sectores e mais de 10.000 diplomas, além de que a legislação actual limita a sua acção. “Um ginásio numa residência particular impede a ASAE de entrar no local e verificar as condições. Por outro lado é difícil, encerrando um dado local por ilegalidade, e no dia seguinte ir lá verificar se permanece fechado”, afirmou.

Foi ainda sugerido que passe a existir a publicitação das actividades ilegais, e a possibilidade futura de os espaços cumpridores poderem afixar uma “nota positiva” que recebam por parte da sua associação ou das entidades de fiscalização, numa linha de Gold member ou categoria de associado premium
Perante esta situação, a AGAP voltou a colocar ao dispor dos seus associados um FORMULÁRIO DE DENÚNCIA DE PRÁTICAS COMERCIAIS DESLEAIS de modo a garantir ao associado que as suas denúncias chegam às Autoridades. Na conjuntura de mercado actual, acreditamos no direito cívico de denúncia contra uma concorrência cujas praticas comerciais desleais e/ou distorção fiscal agrava a sustentabilidade dos ginásios privados portugueses. 

Em momentos críticos, toda e qualquer medida lesiva é agravada pela condicionante económica e pela desigualdade de tratamento. O fitness, tal como qualquer outra área de negócio, merece ser tratado dentro da legalidade e da igualdade. 

Temos assegurado da parte da ASAE uma boa vontade em receber o levantamento destes locais onde são exercidos serviços de prática desportiva sem as condições urbanísticas necessárias, com aplicação de regimes fiscais desiguais ou em situação de perfeita ilegalidade.



1. BARÓMETRO AGAP - Número de clientes dos ginásios aumentou em 2013, apesar da crise

Mais de metade dos ginásios aumentaram o número de clientes, revelando um crescimento de 24% na comparação com 2012. 

Com base nos resultados do Barómetro 2013, realizado por uma empresa especializada em estudos de mercado para a AGAP, o número de clientes foi a surpresa positiva e, apesar da crise, mais de metade dos ginásios aumentaram o número de clientes, revelando um crescimento de 24% na comparação com 2012 e chegando aos 138.485, numa amostra de 284 instalações que contribuíram com os seus dados, de todas as regiões de Portugal Continental e ilhas.

Cerca de mil pessoas por dia voltam ou inscrevem-se, o que é um número muito interessante para o sector e é a prova de que os portugueses já sabem que ir ao ginásio faz bem à saúde. Sabemos que cada vez mais as pessoas não têm capacidade económica para despesas, mas continuam a dar muita atenção à sua condição física e não só por estética, mas sim pela saúde.
Portugal está a aproximar-se da média europeia no que respeita à frequência em ginásios, tendo assim recuperado das perdas dos últimos 3 anos, onde a penetração baixou dos 5% e agora atinge um valor entre 6 e 7%.

O Eurobarómetro mostra que, a nível europeu, a penetração do fitness no mercado é de 11%, deixando o potencial de mercado por explorar desta industria.  

Infelizmente 30% dos ginásios continuam a registar uma quebra de clientes e 36% desceram a facturação, mas os restantes já registam um aumento significativo do número de praticantes, muito à custa do preço médio que volta a baixar, com menos 9% em relação a 2012, sendo agora de 35,68 euros. Na comparação com dados de 2011, o decréscimo acentua-se e é de 22%, sem ter em conta a subida da taxa do IVA que passou para 23% e recolheu críticas do sector.

Os grandes ginásios (maiores que 1.500 m2) têm uma facturação por sócio/mês bastante superior ao pequeno ginásio (menor que 750 m2); as unidades de maiores dimensões rondam os 44 euros enquanto os de menores dimensões ficam pelos 33 euros.


2. Projeções do Instituto Nacional de Estatística
A população residente em Portugal tenderá a diminuir até 2060, em qualquer dos cenários de projeção. No cenário central a população diminui de 10,5 milhões de pessoas, em 2012, para 8,6 milhões de pessoas, em 2060. 
Para além do declínio populacional esperam-se alterações da estrutura etária da população, resultando num continuado e forte envelhecimento demográfico. Assim, entre 2012 e 2060, o índice de envelhecimento aumenta de 131 para 307 idosos por cada 100 jovens, no cenário central. Nesse mesmo período e cenário, o índice de sustentabilidade potencial passa de 340 para 149 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos.


1. Índice de Envelhecimento


2. Indice de Sustentabilidade Potencial



3. Eurobarómetro
O novo relatório do Eurobarómetro mostrou que 74% dos cidadãos da UE não são membros de qualquer tipo de clube que inclua a prática de desporto ou exercício físico. Ao olhar para os números apresentados em comparação com o relatório do Eurobarómetro de 2009, podemos ver que este número aumentou de 67 % em 2009 para 74% em 2013. Não houve mudanças substanciais para qualquer um dos tipos de clube, no entanto, houve um ligeiro aumento para a escolha de Health clubs ou ginásios (de 9% para 11%).

O que motiva as pessoas a serem fisicamente ativas?

Os principais factores de motivação foram: tornar-se mais saudável (62%), melhorar a condição física (40%), relaxar (36%) e para divertir-se (30%). Dos 62% que afirmaram que realizam atividade física para melhorar a sua saúde, 24% também mencionou que vêem na atividade física uma forma de controlar o peso. Em geral, estas respostas são muito semelhantes aos resultados do Eurobarómetro 2009.
Infelizmente, numa comparação entre os dois relatórios (2009 e 2013) o nível daqueles que nunca participa num desporto ou atividade física aumentou de 39% para 42%.

Foi ainda encontrada uma grande diferença entre os níveis de envolvimento de mulheres em comparação aos homens. As mulheres parecem ser menos ativas do que os homens, especialmente as mais jovens.

A prática regular de AF tende a diminuir com a idade, nomeadamente 71% das mulheres e 70% dos homens, com mais de 55, nunca ou raramente pratica exercício.

O relatório do Eurobarómetro revelou que existe uma distinção entre os Estados-Membros do Norte da União Europeia e os Estados membros da região Sul. Os Estados membros mais ativos são geralmente encontrados na região Norte, enquanto os menos ativos são geralmente encontrados na região sul.


4. AGAP mantém posição no Board da EHFA
A AGAP foi reeleita para o Board da Associação Europeia de Fitness (EHFA) numa assembleia-geral muito concorrida e na qual existiam vários candidatos de toda a Europa. A AGAP mantém, por isso, assento no Board desde 2009 na principal instituição europeia associativa do sector.

A assembleia-geral ditou, assim, a renovação do mandato de Pedro Ruiz, secretário-geral da AGAP e Presidente da Vivafit, como membro da Direcção até 2017, sendo o 2º candidato com mais votos.

Nesta mesma assembleia, o Standards Council da EHFA outorgou ainda um prémio Especial Rita Santos Rocha, Directora da Escola de Desporto de Rio Maior pelo seu excelente trabalho desenvolvido no processo de harmonização das qualificações dos profissionais do exercício.

Por fim, a assembleia geral aprovou ainda o rebranding e novo posicionamento estratégico da marca EHFA, que a partir de agora passará a ser EUROPE ACTIVE.

Todas estas iniciativas decorreram em torno da organização da FIBO (The Leading International Trade Show for Fitness, Wellness & Health).





jueves, 12 de junio de 2014

PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO. UM DESAFIO CONSTANTE PARA OS PROFISSIONAIS


O contexto do Desporto, e a área socioprofissional do Exercício e Saúde, em particular, tem vindo a atrair populações-alvo diversas, quanto aos seus objetivos, necessidades, características e benefícios obtidos através do exercício físico: população adulta aparentemente saudável, populações especiais (fases especiais da vida, deficiência e condições clínicas), além dos atletas.



A prescrição do exercício constitui-se como corpo de conhecimentos que permite dar respostas adequadas, proporcionando estímulos efetivos (metabólicos, mecânicos, psicológicos, entre outros), através do exercício físico. Os profissionais deverão também saber aplicar os meios disponíveis para a avaliação subjetiva e objetiva dos praticantes, aconselhar para a prática de exercício físico formal ou informal mais adequado a cada pessoa, e adaptar as linhas orientadoras da Prescrição do Exercício, no sentido de estabelecer objetivos realistas, seguros e efetivos, preferencialmente integrando equipas multidisciplinares (saúde, nutrição, psicologia).

São pressupostos da Prescrição do Exercício: a melhoria da condição física; a promoção da saúde pela redução dos fatores de risco de doença crónica; e a observação das condições de segurança durante a prática física. Estes pressupostos, não são iguais para todas as pessoas, podendo ter diferentes pesos, pois dependem de: interesses e objetivos individuais; motivação e preferências relativamente ao tipo de atividades físicas; estado de saúde ou necessidades relativas à saúde (incluindo medicação); e, estado clínico (perfil relativamente a fatores de risco de determinadas doenças). Como exemplo, para um indivíduo sedentário, em risco de doença crónica prematura, adotar um estilo de vida moderadamente ativo, poderá proporcionar um maior benefício para a sua saúde (e verificar-se de facto), do que aumentar o consumo máximo de oxigénio. Numa fase posterior, a prescrição do exercício, deverá apontar para a melhoria da sua condição física.
Recentemente, o ACSM definiu dois tipos de componentes da condição física - relacionada com a saúde, e relacionada com a habilidade motora – da forma apresentada seguidamente (adaptado de ACSM, 2013). (1) Componentes da condição física relacionadas com a saúde (health-related physical fitness components): Resistência cardiorrespiratória (capacidade dos sistemas circulatório e respiratório para fornecer oxigénio durante a atividade física continuada); Composição corporal (quantidades relativas de músculo, gordura, osso e outras partes vitais); Força muscular (capacidade do músculo para exercer força); Resistência muscular (capacidade do músculo para continuar a executar uma ação sem fadiga); e, Flexibilidade (amplitude de movimento disponível numa articulação); e (2) Componentes da condição física relacionadas com a habilidade (skill-related physical fitness components): Agilidade (capacidade de alterar a posição do corpo no espaço com velocidade e precisão); Coordenação (capacidade de usar os sentidos, como a visão e a audição, juntamente com as partes do corpo, na execução de tarefas, de forma suave e com precisão); Equilíbrio (manutenção do equilíbrio na posição estática ou em movimento); Potência (capacidade ou taxa a que cada um consegue realizar trabalho); Tempo de reação (tempo decorrido entre o estímulo e o início da reação a ele); Velocidade (capacidade de realizar um movimento dentro de um período de tempo curto).
A melhoria destas componentes pressupõe os dois principais Princípios do Treino: sobrecarga e especificidade. O princípio da sobrecarga prevê que para um tecido ou órgão melhorar a sua função, tem que ser exposto a uma carga, à qual não está normalmente habituado. A repetição desse estímulo está associada à adaptação desse tecido ou órgão, que leva à melhoria da sua capacidade funcional. O princípio da especificidade refere que os efeitos de treino resultantes de um programa de exercício são específicos, relativamente aos exercícios realizados e aos músculos envolvidos.
Pedersen e Saltin (2006) descrevem de forma objetiva as evidências científicas que sustentam a prescrição do exercício como terapia de variados problemas de saúde, tais como, problemas relacionados com síndrome metabólica (resistência à insulina, diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão, obesidade), problemas cardíacos e pulmonares (doença pulmonar obstrutiva crónica, doença coronária, falha cardíaca crónica, claudicação intermitente), doenças do músculo, osso e articulação (osteoartrite, artrite reumatoide, osteoporose, fibromialgia, síndrome de fadiga crónica), cancro, depressão, asma e diabetes tipo 1. Para cada caso são descritos o efeito do exercício físico na patogénese, nos sintomas específicos, na condição física ou força, e na qualidade de vida. Simultaneamente, as linhas orientadoras da Prescrição do Exercício pressupõem que os níveis de segurança não são ultrapassados, o que significa que a prevenção de lesões é uma preocupação constante. O American College of Sports Medicine é considerada a instituição de referência neste domínio, sendo que, recentemente, apresentou novas linhas orientadoras (ACSM, 2013). 
As componentes da Prescrição do Exercício sistemático e individualizado, incluem a adequação do seguinte princípio: F – Frequência (“quantas vezes”); I – Intensidade (“quão difícil”); T – Tempo (duração ou “quanto tempo”); T - Tipo (modo ou tipo de exercício); V – Volume (“quantidade”); P – Progressão (“progresso” ou “aumento”).
Estas componentes aplicam-se quando se desenvolve a prescrição de exercício para pessoas de todas as idades e níveis de Condição Física, independentemente da presença ou ausência de fatores de risco ou doenças. A progressão do exercício é um pressuposto implícito na prescrição do exercício, sendo necessária para assegurar o princípio da sobrecarga.
Deste modo, a arte da Prescrição do Exercício é a integração bem-sucedida das ciências do Exercício com as técnicas comportamentais, que resulta na aderência ao Exercício a longo prazo e na conquista dos objetivos individuais (ACSM, 2000).
A prescrição do exercício constitui-se, assim, como um desafio constante para os profissionais do desporto que atuam nesta área do Exercício e Saúde - Diretor Técnico e Técnico de Exercício Físico, e requer uma formação especializada e atualizada no sentido de dar resposta adequada aos objetivos das populações-alvo, promovendo a atividade física como comportamento a adotar de forma continuada ao longo da vida.
Referências
ACSM. (2000). ACSM’s Guidelines for Exercise Testing and Prescription (6th ed.). Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins.
ACSM. (2013). ACSM's Guidelines for Exercise Testing and Prescription (9th ed.). Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins.
Pedersen, B. K., & Saltin, B. (2006). Evidence for prescribing exercise as therapy in chronic disease. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 16(S1), 3-63.

Autora: Rita Santos Rocha.




lunes, 9 de junio de 2014

ORTOREXIA

Entre os anos de 1970 e 1990 ocorreu uma explosão nas ciências da nutrição no desporto e exercício, especialmente no que se refere aos suplementos naturais, distinguindo o que era considerado alimento saudável e não saudável. Os ‘não saudáveis’ possuem altos teores de gordura saturada e colesterol, sendo diretamente a causa para inúmeras doenças do foro cardiovascular; o açúcar, por causar caries e diabetes tipo 2; o sal, por causar retenção de líquidos e hipertenção; por fim, os edulcorantes artificiais, por estarem ligados ao surgimento de certos tipos de cancro.

Nota: Ortorexia nervosa é a obsessão patológica por ingerir exclusivamente alimentos saudáveis. O conceito ortorexia provem do grego “orthos” que significa “correto” e “orexis” que significa “apetite”. Literalmente significa “apetite correto”. O conceito é semelhante ao de anorexia, isto porque tem o mesmo final – “orexis” – “apetite”.




Surgiu então, entre os anos 70 e 90, um grupo cada vez mais numeroso de aficionados da saúde, que comiam apenas aquilo que fosse mais saudável. Estes tinham boas intenções, e inicialmente só tinham como meta reduzir a ingestão de carnes vermelhas, por exemplo. Contudo, com o passar do tempo, tornavam-se obsessivos e excluiam definitivamente a carne vermelha da sua dieta, todos os alimentos processados e, finalmente, passavam a comer somente determinados alimentos que haviam sido preparados de uma maneira altamente especifica. Este comportamento obsessivo respeitante à comida saudável corresponde a um transtorno de alimentação conhecido como ortorexia nervosa.

Ortorexia nervosa é a obsessão patológica por ingerir exclusivamente alimentos saudáveis. O conceito ortorexia provem do grego “orthos” que significa “correto” e “orexis” que significa “apetite”.

Os sintomas e consequências da ortorexia nervosa podem caracterizar-se por obsessões respeitantes a uma alimentação saudável, desnutrição e, em último caso, morte por inanição. Quem sofre deste transtorno manifesta desejos incontroláveis de ingerir este tipo de comida quando estão nervosos, emocionados, felizes, ansiosos, angustiados.

Este transtorno, do mesmo modo que a anorexia e a bulimia nervosa, representa uma séria alteração na conduta alimentar. A atitude obsessiva de consumo baseia-se numa fixação acerca da qualidade dos alimentos. De facto, os doentes dedicam a mesma quantidade de tempo e energia a pensar nos alimentos como uma pessoa anoréxica ou bulímica.

Embora a anorexia nervosa esteja associada a um excesso de controle de impulso, a bulimia nervosa está associada com uma falta de controlo dos impulsos. A ortorexia por sua vez, tem um pouco dos dois, isto é, um excesso e um défice de controlo de impulsos simultaneamente. A grande diferença reside no facto de, ao contrário da anorexia e bulimia, a ortorexia ainda não se encontrar classificada como transtorno mental oficial em DSM 5.

A ortorexia não apresenta os mesmos perigos psicopatológicos e fisiopatológicos que a anorexia e bulimia nervosa. Contudo, a sua natureza restritiva pode servir como ponto de partida para uma destas patologias no futuro. Por um lado, existem traços na personalidade das pessoas com ortorexia e anorexia que são muito semelhantes como, por exemplo, uma baixa autoestima, maus hábitos e comportamentos, falta de controlo de impulsos, perfeccionismo, controlo excessivo do que o/a rodeia, obsessões. Por outro lado, as dietas altamente rigorosas aumentam as possibilidades de se sofrer de malnutrição, conduzindo a um típico quadro de bulimia com compulsões e vómitos.


O primeiro estudo sobre a ortorexia foi realizado com 400 estudantes no ano de 2004, do qual se concluiu que 28 (6,9%) eram ortoréxicos, sendo mais presente nos homens. Este resultado duplica a os números da anorexia e bulimia em conjunto. Organicamente falando, tudo indica que se deve a alterações bioquímicas nas veias cerebrais produtoras de serotonina (conhecida como 5-HT ou 5-hidrozitriptamina) nas pessoas que sofrem de anorexia, bulimia e ortorexia. Estudos recentes nos quais foram utilizados 5-HT concluíram que existem modificações no transporte e receção de 5-HT nas estruturas límbicas destas pessoas. Tais alterações estão intimamente associadas à ansiedade, às inibições e desinibições comportamentais, e a distorções da imagem corporal.

Tendo em conta o que foi dito anteriormente, é importante que o desporto mude o seu núcleo operacional de dentro para fora, de modo a evitar estas desordens. É importante ter em consideração os falsos ideais estéticos que se criaram no desporto, especialmente a sobrevalorizada importância dada à aparência externa. Desportos e profissões como manequins, concursos de beleza, saltos de trampolim, ginástica artística, ginástica desportiva, dança, patinagem no gelo, fitness e culturismo, são os mais importantes.

Aqueles atletas que padecem de ortorexia tendem a desenvolver as suas próprias regras e metodologias alimentares. Para seguir com rigor estas práticas, estas pessoas fazem uso de uma grande força de vontade, contudo, se perderem o controlo e cederem à tentação dos alimentos proibidos, sentem-se incompetentes, culpados e corrompidos. Este comportamento é semelhante nos doentes que sofrem de anorexia, bulimia nervosa e vigorexia.


Finalmente, enquanto os anoréxicos e bulímicos se preocupam com a quantidade de comida que consomem, e os vigoréxicos pela quantidade de exercício que realizam, os ortorexicos ficam obcecados com a quantidade de comida que consomem. Por tudo isto, é muito claro que à medida que os anos passam a incidência da psiquiatria no desporto é cada vez mais importante e generalizada.

Autor: Guillermo A. Laich De Koller.


 
Gym Factory Portugal © 2014 gymfactory.net & Gym Factory . ...